segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O PREPARO DO COMUNICADOR

O preparo e experiência do comunicador e seu conteúdo de conhecimento, nem sempre são explorados nos meios de comunicação porque as emissoras tem seus formatos de programação determinados, o que condiciona o profissional trabalhar de acordo com a proposta da emissora. Não é possível conhecer o potencial de um comunicador entre outros, por mais capacitação ou formação que possua, se o trabalho atribuído a ele não oferecer essa flexibilidade. Experiência e conteúdo são percebidos apenas em momentos imprevistos, que exijam algo a mais do profissional. Não se pode julgar experiência e conhecimento a um profissional que se limita apenas a ler notas informativas ou anúncio e desanúncio de música e hora certa, como é o padrão da maioria das emissoras comerciais. O trabalho que não exige determinadas competências do comunicador, pode ser feito com o mesmo resultado por profissionais menos experientes. A “liberdade” de expressão nem sempre é uma realidade entre profissionais da comunicação do rádio ou da TV, pois esses devem estar subordinados à proposta de programação que varia de veículo para veículo.
Mas é o preparo profissional e experiência que conferem ao comunicador a sensibilidade de corresponder às necessidades de seu público e se sobressair em situações atípicas.
Quando um profissional não se depara com desafios em sua área de atividade, seu trabalho torna-se mecânico, previsível e facilmente substituível.

Ser competente numa atividade não é apenas fazer bem o que se sabe fazer, mas adquirir preparo para resolver questões imprevistas. Os que se dedicam exclusivamente a uma atividade são diferenciados.

A maturidade, o equilíbrio e a experiência são aliados fortes para um bom desempenho profissional. Nem tudo se aprende numa escola propriamente dita, em cursos, ou na cadeira de uma universidade. Cada curso tem seu período, mas a profissão que escolhemos é para toda a vida. A observação diária, o acompanhamento das realidades factuais, a experimentação através da prática, são fatores capazes de proporcionar uma experiência melhor e o domínio sobre a atividade.



Conheça seu público


“Fiz-me forte para com os fortes e fraco para com os fracos”

I Aos Coríntios 9:22. “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para todos os meios chegar a salvar alguns.

O mesmo apóstolo deu mostras de que viveu em situações adversas: Soube viver bem em toda e qualquer situação: fartura ou escassez; humilhado e exaltado, etc.
Além do conhecimento prático, Paulo era um erudito e de grande conhecimento.
Fiz-me tudo para todos, para todos os meios chegar a salvar alguns. Esse trecho aponta que por maior que seja o nosso esforço consciente, utilizando-nos de nossa vocação para a comunicação e empatia para transmitir conhecimento, nem sempre conseguiremos convencer a todos. Por isso, não devemos chamar para nós a responsabilidade de convencer, mas o compromisso de fazer nossos ouvintes conhecedores da mensagem que transmitimos, com todos os recursos que temos disponíveis. No campo espiritual o papel do convencimento é do Espírito Santo. Quando avocamos a responsabilidade de falar e convencer, corremos o risco de atribuir a nós um resultado que não foi operado por nosso esforço, por maior dedicação que empregamos nesse trabalho.

EMPATIA:

Essas palavras do Apóstolo Paulo demonstram algo que na comunicação chama-se empatia: ou seja, colocar-se no lugar do outro.
O que se observa é que dificilmente conseguiremos com sucesso colocar-nos no lugar do outro com autenticidade, se não passamos por situações idênticas. As pessoas experimentadas na vida em vários setores ou especificamente em sua área de atividade quando desenvolvem a comunicação, conseguem alcançar seus ouvintes pela credibilidade que passa por meio da mensagem que transmite.
É preciso cuidar da linguagem intimista. É arriscado um comunicador parecer estar em grau mais elevado de conhecimento ou espiritualidade que seus ouvintes quando os aponta. Ouvintes são mais suscetíveis a aceitar alguém que se coloca na mesma posição ou grau que eles, que compartilhe experiências comuns ou fale de coisas simples. O comunicador não deve cometer o pecado de excluir-se da mensagem que transmite, passando uma imagem de arrogante ou dono da verdade.




SEGURANÇA.
O comunicador deve passar segurança e confiabilidade. Isso se obtém, buscando informações a respeito do que vai anunciar. Quem está sob a responsabilidade de comunicar alguma mensagem a alguém, deve levar em conta alguns critérios, a saber: Organizar idéias e informações. Isso favorece o comunicador na fluência do que vai dizer. Um tema bem organizado e preparado, dá segurança a quem fala e confiança a quem ouve. Observar também as fontes de informação é maneira mais segura de obter conteúdos a serem repassados. O comunicador não precisa necessariamente ser especialista na área que vai discursar, mas precisa pesquisar sobre o tema para que aprenda sobre o que vai dizer. Citar fontes, em muitos casos, mostra a responsabilidade e compromisso do comunicador com seu público.
O orador pode usar o recurso do improviso, caso tenha vivenciado alguma situação recente paralela que venha acrescentar algum fato interessante para ilustrar sua mensagem em determinado momento. Isso aproxima o público e prende a atenção principalmente quando esses relatos têm a ver com realidades vivenciadas comumente pelas pessoas.
A autenticidade na maneira de comunicar é um meio de excelentes resultados
O ouvinte tem a capacidade de questionar, interagir, exatamente pela abertura da comunicação em todos os aspectos. A comunicação não é estática. Ela reproduz as mudanças e as transformações sociais e humanas, por isso é atual, sempre. O comunicador precisa permitir essa abertura, e isso ocorre quando ele ouve. A comunicação em sua essência, é um meio de servir ao outro. Todos os sinais da comunicação existem com o objetivo de servir. Para que isso ocorra é imprescindível a disposição do comunicador pôr-se a ouvir para que por meio de uma solicitação, trabalhe para que uma resposta seja enviada.


Em muitos casos o próprio Jesus colocava-se a ouvir pessoas, ao perguntar: “o que queres que eu te faça?”; por que choras? etc. Ele mostrava interesse em saber o que as pessoas que os procurava precisavam naquele momento.

Ele agiu com amor, respeito e ética sem omitir a verdade, no caso da mulher pecadora que seria apedrejada, (S.João 8), bem como no caso da mulher de Samaria, a quem pediu água no poço de Jacó. (S.João 4).

O comunicador precisa observar a forma como transmite sua mensagem e a maneira de lidar com as informações que deve divulgar ao seu público.
Se não entende bem o que vai transmitir, pesquise paralelamente para obter informações precisas; se não tiver certeza, não fale.
A comunicação dinâmica necessita de criatividade, boa vontade e dedicação, amor, ética e respeito ao público. Esses elementos são pessoais, e a prática leva ao aperfeiçoamento.



observação

FATOS DO DIA A DIA QUE SERVEM DE BASE PARA COMUNICAR A SERVIÇO DO EVANGELHO

O evangelho são boas novas, ou seja, boas notícias.
O contrário disso é o que assistimos na sociedade moderna


· Mãe que abandona filhos
· Crises sociais e violência
· Problemas ambientais
· Decadência da família: filhos contra pais, pais contra filhos.




Os meios de comunicação de massa concedidos às religiões devem dar ênfase às boas-novas. Essas mensagens são de interesse geral e une pessoas, pois não há conotação doutrinária ou proselitista, por não enfatizar princípios de fé denominacional. As boas novas de Jesus tocavam o coração dos homes, sem fomentar discriminação ou contendas; sentimento de culpa ou pavor. As boas novas são o evangelho, que é o poder de Deus para transformar pessoas.




EM TEMPO ALGUM NUNCA HOUVE TÃO FARTO MATERIAL PARA COMUNICAR BOAS NOTÍCIAS.
Esses assuntos permeiam o nosso dia a dia e isso torna-se oportunidade natural para falar o que a Bíblia revela sobre esses acontecimentos. Em tempo e fora de tempo; em qualquer lugar. A sociedade moderna afasta-se de Deus e há os que estão sedentos em ouvir e sentir a transformação que o Evangelho pode trazer à sua vida.
Não há meio de comunicação mais eficiente e presente que indivíduos atuando por onde passa:

· Na condução
· Nas ruas
· Na escola
· No trabalho

De maneira natural, com o conhecimento devido das mensagens Bíblicas em contraste com o que é vivido na sociedade, comunicar esperança não é trabalho desafiador, é questão de decisão pessoal em assumir esse papel: de comunicadores de boas novas. É aproveitar todos os “ganchos” existentes para entrar nesse assunto. Considerando:
· A capacidade de ouvir;
· A empatia;
· A argumentação
· A linha de raciocínio
· A reflexão
· A sugestão
COMUNICAR:

Anunciar, informar, avisar.

“Ide, pregai; anunciai o evangelho”

Essa ordem foi dada por Jesus a seus seguidores. Não especificamente a comunicadores profissionais, pois o que se torna necessário nesse ponto, é a disposição individual de assumir esse compromisso. Se comunicadores profissionais já incorporaram essa mentalidade, grande obra poderão fazer.

O evangelho é para ser anunciado, ou seja, as boas novas, as boas notícias para a salvação da humanidade. Nesse caso, a fórmula e o conteúdo não se contrastam. A fórmula é o meio, o veículo, ou seja, pessoas dispostas a anunciar. Cada indivíduo tem uma maneira peculiar de se comunicar e, isso não altera o conteúdo quando decide “anunciar” o que lhe é proposto. Cabe ao comunicador manter-se fiel ao conteúdo recebido. Não há uma nova fórmula, nem um novo conteúdo.

Os meios tecnológicos utilizados para a comunicação de massa não descartam o trabalho individual e local de anunciar as boas novas. Por maior que seja o alcance do rádio e da televisão, eles são ouvidos e vistos por pessoas que fazem parte do nosso meio: bairro, local de trabalho, etc. Se esses veículos têm a capacidade de entrar em regiões em que o comunicador, pessoalmente não pode ir, nessas regiões há pessoas que, comprometidas tal como missionárias, podem ser instrumentos de Deus para comunicar o evangelho. Essas pessoas tornam-se multiplicadoras. Ou seja, nada substitui a ação individual nesse trabalho. Não há meio mais objetivo de comunicação do que a ação individual nesse sentido, e a comunicação direta entre pessoas é desprovida de técnicas ou manipulações. A institucionalização da comunicação a serviço do evangelho pode, por um lado, avançar e alcançar milhões de pessoas ao mesmo tempo. Porém, pode tornar-nos relapsos em relação ao nosso papel individual.

Os veículos de comunicação de massa exercem papel importante para a propagação da mensagem, porém, não devem ser supervalorizados frente ao desempenho individual, nem colocados como único instrumento para o avanço da mensagem. A tendência desse comportamento, é dar destaque demasiado ao veículo como o ferramenta mais importante e exceder o teor da mensagem a ser transmitida. Quando há supervalorização e demasiada defesa de esforços nesse sentido, sugere-se, também, que todos os fins perseguidos para seu avanço, justifiquem os meios empregados para tal, e as idéias defendidas para esse crescimento ou expansão, passam a ganhar certa aceitação frente à essa necessidade institucional de ocupar mais espaço.


A plástica utilizada, a tecnologia empregada, os formatos de programas e seus personagens, não podem ofuscar a mensagem. Seus servidores devem ser abnegados ao serviço de promover o evangelho, não o de promoverem-se.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Todo homem nasce livre para se expressar. Porém essa liberdade exercida, só existe em função de algo ou de alguém. Se vivêssemos isoladamente não precisaríamos nos preocupar com “liberdade de expressão”. Como vivemos em sociedade, o direito a essa liberdade segue a padrões e princípios morais, sociais e éticos e consequentemente seremos responsáveis pelo resultado que produzirmos. Para a liberdade também há regras, principalmente a do bom senso. S. Tiago 2:12 : “Assim falai, assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade”. A liberdade segue a regras, dentre elas, a lei da consciência.


· A LEI DA LIBERDADE

Muitos trazem sofrimento e escravidão para si e para outros pelo mau uso da liberdade de expressão, como espalhar BOATOS, ou seja, anunciar o que não tem certeza, ou fato não apurado. O excessos praticados por uso dessa “liberdade”, pode, por exemplo, dar abertura para uma postura inconveniente de seu apresentador.

A LEI DA LIBERDADE É A LEI DA CONSCIÊNCIA. NEM TUDO O QUE É PERMITIDO OU LEGAL, É MORAL.

A ÉTICA:

Somos livres pensadores por natureza
Se não entendemos o que transmitimos, e se for necessário que a mensagem seja transmitida, é indispensável uma pesquisa para obter informações precisas. Não devemos tirar conclusões precipitadas, nem mostrar a nossa verdade discriminando ou criticando pessoas que tem outra linha de pensamento. O bom comunicador é aquele que conquista respeito até de oponentes aos seus pensamentos ou exposições.


UM DOS EXEMPLOS DE ÉTICA NA BÍBLIA: Leia Mateus 18:15 e 16
Abrir oportunidade para que o direito de resposta ou uma explicação da parte afetada seja oferecido, caso algum comentário ou suposição declarada interfira na liberdade e integridade moral de uma pessoa, é prática justa e ética, além de ser obrigatória por lei. O importante é que o meio de comunicação evite pedir desculpas ou se permita um posicionamento em situações duvidosas ou constrangedoras. É preciso cautela ao informar ou comentar determinado tema que afete diretamente pessoas ou autoridades. Trabalhar no campo das idéias ou sugestões, torna uma opinião menos pessoal e mais propositiva.
Ter ética é respeitar o outro em todos os aspectos.

A FALA REVELA

· No Princípio, o verbo.

Verbo = palavra em ação
E a palavra se personificou, ganhou corpo: resultado. S.João 1:1

A palavra não é um fim em si mesmo. É um meio. Nesse contexto, a palavra de ordem criou o mundo.

O efeito da palavra, é o resultado que ela produz.

· A FALA REVELA:
O ser humano fala do que lhe é próprio, de acordo com seu repertório de conhecimento acumulado pela experiência e observação das coisas, por suas crenças e convicções. Até mesmo os meios de comunicação, dão ênfase a seus princípios, àquilo que defendem. Por isso é questionável o quesito “imparcialidade”. A verbalização reproduz o próprio indivíduo ou suas escolhas ideológicas. (“a boca fala do que o coração está cheio”);
A comunicação verbal é dinâmica. Transmite sempre realidades vividas, conceitos apreendidos.

Os veículos de comunicação de massa devem considerar os diversos públicos de acordo com suas realidades para alcançar o objetivo.





· EFEITO OU RESULTADO:

A palavra transforma: Sal. 119:50 “Isto é a minha consolação na minha angústia, porque a tua palavra me vivificou”.

A palavra exerce influência de todas as maneiras, principalmente se quem a emite detém credibilidade.









· AUTENTICIDADE

Falar a verdade – Zacarias 8:16: “Falai a verdade cada um com seu companheiro; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas”.

Comunicar a verdade é a grande responsabilidade do comunicador sem fantasiar ou suscitar um sentimento de falsa realização em seu público. Por outro lado, algumas verdades transmitidas nos meios de comunicação de massa devem levar em consideração o limite da liberdade de expressão e ética. Há verdades de interesse doutrinário denominacional, que é restrito aos templos e aos estudos sistemáticos nas igrejas, mas as boas novas de Jesus são mensagens sem repulsa e discriminação e sem rival.


É a verdade que liberta o ser humano. A liberdade por meio do conhecimento doutrinário, é resultado do primeiro passo que o indivíduo dá, ao despertar-se para as boas novas. “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Essas palavras de Jesus mostram que a obediência aos ensinos dEle é conseqüência do amor a ele. Jesus é a essência de seu próprio ensino e não atraía as pessoas pelo que ele ensinava, apenas, mas pelo que fazia pelas pessoas, pelo que era.

COMUNICAR: DOM DE DEUS

CAPACIDADE DE COMUNICAR: UM DOM DE DEUS

A capacidade de comunicar não é privilégio de poucos, mas uma dádiva que Deus oferece ao ser humano. E dentre a capacidade de comunicar está a fala. É com ela que nos expressamos verbalmente. Pela fala somos entendidos e atendidos. Mas existem os métodos para aperfeiçoar esse dom que Deus nos deu.

A comunicação tem diversas facetas e não está relacionada só à fala, mas as expressões faciais e corporais, os gestos e nossas ações. A nossa maneira de falar, de vestir e de agir, também transmite mensagem a nosso respeito.

Cada indivíduo é um comunicador e cada um se expressa da maneira como absorve o conhecimento, segundo a realidade em que vive. Pelas observações e conteúdos acessados desenvolve sua linha de pensamento sobre as coisas. Daí, pode-se considerar que a comunicação que desenvolvemos, tem muito a ver com a nossa história, experiência e o repertório que vamos acumulando ao longo da vida. Por isso a comunicação está sempre em movimento. Ela reproduz seu tempo e seu momento. A comunicação que transmitimos aos outros também é individualizada. A criatividade e talento contam muito na comunicação individualizada, pois cada pessoa passa um pouco de si mesma ao se comunicar também com o público aberto. O comunicador passa a ser reconhecido pela maneira de se apresentar, pela característica própria como comanda sua apresentação, pelo carisma, pela sua marca.
O comunicador deve estar plenamente envolvido com as ferramentas disponíveis para que a transmissão de sua mensagem ganhe corpo e alcance objetivos. A comunicação alcança seu objetivo quando o que é transmitido é absorvido e retransmitido pelo receptor. É a reprodução dos conteúdos que se materializa num comportamento, numa maneira de pensar e refletir.

É importante usar a linguagem certa, no momento certo, para que do transmissor ao receptor não haja “ruídos” ou algo que venha causar dúvidas em relação ao que se transmite. A linguagem deve ser clara, direta, sem conotações dúbias.

Cada um de nós vai acumulando seu repertório à medida que vai crescendo, se desenvolvendo. Esse repertório é formado por tudo aquilo que vemos, ouvimos, sentimos, observamos, comparamos, experimentamos. Não há nada de científico nem profundo nisso. É fato. E todos nós passamos por experiências, sejam agradáveis ou não. Algumas bem semelhantes a outras e cada pessoa desenvolve sua maneira peculiar de lidar com seus sentimentos, emoções e percepções das coisas. É a experiência que nos ensina. Com ela aprendemos a viver melhor, a rever nossos erros, a buscar acertos, a avançar na busca por algo mais nobre e elevado. Entre as boas coisas da vida está o compartilhar de experiências vividas. Com esse compartilhar, podemos descobrir que não estamos distantes da realidade que outros vivem, e que, o que passamos hoje, muitos, antes de nós, passaram. Isso pode servir de incentivo e motivação para acreditarmos naquilo que fazemos e realizamos e, através dos exemplos, que caminhos poderemos trilhar com segurança. Mas tomar apenas os exemplos dos outros como motivação, seria como “pescar em aquário”. Por um lado é muito cômodo, mas por outro, deixamos de experimentar nossos próprios desafios no “grande mar” dessa vida e viver a nossa própria experiência. Nem sempre o que acontece aos outros, acontecerá a nós da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Não devemos correr o risco de sermos parasitas ideológicos, em vez de idealistas.
As experiências dos outros podem ensinar muito; mas nada melhor que aprendermos com nossas próprias experiências e de acordo com a nossa realidade.

domingo, 23 de agosto de 2009

AQUI, É ASSIM QUE FUNCIONA

O profissional deve ter competência para realizar o que lhe é proposto, não somente o que propõe.
Aprendi com a educação que recebi, a respeitar os mais velhos, não apenas por serem mais velhos na idade, mas pela experiência de vida que eles têm acumulada. Isso se aplica também no campo profissional. Os mais experientes tem sempre algo a compartilhar e o fazem com muito boa vontade.
É muito importante quando lidamos com pessoas que nos falam a verdade e nos dá a chance de fazer de novo.
Um líder de sucesso tem visão de onde pode investir e o que vale realmente a pena; o que pode ser acrescentado ou descartado. Há os que se preocupam mais com questões estéticas e exterioridades; há outros que trabalham mais em questões estruturais ou de conteúdo, o que pode fazer as mudanças serem não apenas vistas, mas sentidas em sua essência, caracterizadas em seu produto final.

Quando fui aprovado para começar a trabalhar na Rádio Mauá Solimões, em 1989 e, antes de ser contratado, o diretor de jornalismo me orientou a ouvir a programação da emissora, para saber como funcionavam os programas, a plástica da rádio, o padrão adotado por ela. Eu era um sonhador, cheio de idéias e sugestões; ficava preocupado com o que eu tinha que fazer. Foram vãs preocupações. Na prática, meus sonhos não cabiam na proposta da emissora, e tive que aprender a adaptar-me ao que queriam que eu fizesse. Boas idéias, sonhos, todos possuímos, porém, elas devem ser guardadas para os momentos em que nossas opiniões forem solicitadas. Como funciona aqui?

Essa talvez seja uma pergunta de um bom subordinado, plenamente capaz de assumir qualquer posição dentro da atividade proposta. Isso não torna ninguém maior ou menor que outro; menos ou mais importante.

O profissional competente e consciente de seu papel deve estar pronto para realizar o que lhe é proposto, não apenas o que propõe ou sonha realizar. Cada qual é peça importante de uma engrenagem. Cada qual no seu lugar realizando sua função, é caminho para o aperfeiçoamento e crescimento em qualquer esfera de atuação.

ENTRE O SONHO E A REALIDADE

Entre o sonho e a realidade
O que define a distância de um para o outro é o que se sonha e que planos são traçados para sua realização

No campo da motivação, vários palestrantes que ouvi trouxeram exemplos como se fossem uma regra ou receita para o sucesso e realização por atacado, como o caso do empresário que construiu fortuna catando latinhas e ferro-velho; o vendedor de canetas que tornou-se grande empresário da comunicação.

Se o trabalho desses homens bem sucedidos fosse mesmo uma fórmula exata para o sucesso, certamente hoje não haveria mais catadores de latinhas nem vendedores de canetas nas ruas. É fato que cada indivíduo traz um sonho dentro de si, e sonhos são criados de acordo com o que cada um vivencia, vê e percebe. Nem sempre os sonhos que nos levam a sonhar são realizáveis dentro da realidade na qual vivemos.
É possível que o catador de latinha ao ouvir o testemunho do empresário que fez o mesmo que ele faz, antes de tornar-se rico, o leve a sonhar com a mesma coisa. Sonhos realizáveis, são os sonhos que trazemos dentro de nós, independentemente das circunstâncias externas, dos obstáculos que aparecem. Precisamos ter auto-motivação, não uma motivação sugestionada. A auto-motivação não depende de opiniões alheias sobre nossa capacidade de realização. Ninguém dirá a um menino que joga bola que ele pode ser um craque amanhã, se ele não esboçar nenhum interesse por futebol. As palavras motivadoras de alguém para nós são baseadas apenas no contexto visível. O que leva alguém a crer nessas palavras é a motivação interna, a confiança. Portanto, motivação não se baseia apenas em palavras ditas por alguém a determinada pessoa com relação a certas aptidões que essa pessoa apresenta. Se ela não acreditar naquilo que faz, palavras não resolvem. Aquilo que alguém pensa de si mesmo, assim este alguém será, pois tudo o que fizer em torno desse pensamento tornar-se-á possível.

Certo dia eu estava com um colega de classe e encontramos nossa professora de O.S.P.B, matéria já extinta da grade curricular, com o fim do regime militar. Ela estava vendendo cachorro-quente num quiosque. Mais que depressa, esse colega disse: “Professora! logo a senhora, vendendo cachorro-quente?” - Com resposta na ponta da língua ela diz: “Sim, essa é a minha segunda fonte de renda para pagar meu doutorado”. Uma doutoranda vendendo cachorro quente! Mas o que de mal há nisso? Há tantos que enriqueceram vendendo cachorro quente e, outros que vendendo o mesmo produto não passaram de uma carrocinha na calçada da esquina. Perceba que as realizações são diferentes para as pessoas, individualmente, mesmo usando a mesma fórmula.

O ser humano trabalha na esfera das possibilidades, não das impossibilidades. Se algo foi alcançado é porque era possível. A possibilidade está relacionada ao plano ordinário, natural e razoável. Se disserem que algum limite foi superado, é porque esse limite ainda não havia sido alcançado.

Dificilmente o ser humano precisa lançar mão do extraordinário para resolver seus assuntos ou questões que estejam dentro de sua esfera de ação ou convivência. Possibilidade, ou não, está mais relacionada a maneira como o indivíduo é motivado e que ferramentas usa na busca da concretização de seus ideais.
As ferramentas podem ser as mesmas para todos, mas é a forma de manuseá-las que mostra que produto somos capazes de criar.

A EXPERIÊNCIA QUE VALE

Esperar reconhecimento pela história que construímos pode ser uma expectativa frustrante.

Debruçar-se sobre a experiência esperando reconhecimento e consideração diferenciada, pode ser uma expectativa frustrante. Experiência é como retrovisor, olhando para trás, para o que fizemos e realizamos, e muitas vezes achamos que basta evocar os créditos do passado para nos sentirmos merecedores.

Por ocasião dos 80 anos do rádio no Brasil, tive o privilégio de entrevistar o radialista Collid Filho. Ele foi locutor do primeiro noticiário do rádio brasileiro, o Grande Jornal Falado Tupi, na década de 40. De acordo com Collid, o jornal foi o primeiro a anunciar o final da Segunda Guerra Mundial. À época, Collid Filho afirmou que já estava na emissora há 55 anos e participou de sua inauguração ao lado de Assis Chateaubriand.
O que fez um radialista vencer 55 anos no ar como apresentador de programa, diante de tantas mudanças que ocorreram nesse período de transições sociais, políticas e tecnológicas? O fato é que ele não vivia olhando o retrovisor.
Hoje, algumas empresas substituem funcionários com longo período de carreira por menos experientes, pois o trabalho tornou-se mecânico, onde adota-se apenas mão de obra que é descartável, substituível. A criatividade e o talento que poderiam ser usados na função são restritos pelo previsível, frio e mecânico ou por outros interesses.

Experiência e história não valem muito, dentro desse contexto, quando pretendemos nos respaldar apenas em nossas aptidões, talento, propósitos e currículo para sermos respeitados e aceitos. O valor que sabemos que temos, nem sempre é o mesmo pelo qual somos reconhecidos. Isso não depende de nós. É preciso entender isso a ponto de mantermos nossa auto-estima profissional em dia, sem depender de aplausos alheios para sentir-nos bem e realizados.

O sentimento que nos move é invisível; a dedicação que empregamos é impagável. Esperar reconhecimento pela história que construímos pode ser uma expectativa frustrante.

O EXEMPLO VEM DE BAIXO

Para chegar ao topo, há um longo caminho a percorrer e há os que perdem o foco, cegados pelas “luzes” da estrada.

A motivação está muito relacionada ao que fazemos, mas é o resultado que mostra a competência que temos. Num mundo cada vez mais competitivo em todas as áreas, e, prega-se que somente os que trazem os melhores resultados são os que conseguem firmar-se e conquistar credibilidade. Mas Quando trabalhamos pensando apenas em nós mesmos, poderemos sair “machucados” em quase toda atividade.

Certo dia ao sair com minha caixa de isopor para vender picolé num ponto de ônibus, e ao estar quase fechando a venda para uma senhora, aproximou-se outro menino, também vendedor de picolé, pulou na minha frente e disse: “Compra o meu. O meu picolé é melhor”, e assim vendeu. Sem pensar duas vezes, assumiu atitude oportunista.

Talvez essa atitude seja aplaudida por alguns motivadores nos tempos em que se ovaciona o que chamam de ousadia e perspicácia como uma espécie de arma para conquistar o que se deseja, onde o fracasso de uns, serve de combustível para impulsionar outros. Usar a mesma arma do inimigo a essa altura, pode provar que somos iguais ou piores que ele. As demandas e disputas sugestionadas no mundo da competição, pode tornar o ser humano inimigo de si mesmo, quando investe contra o outro, pois para vencer precisa derrotar. Os que seguem exemplos alheios, ou fixam nos fracassos de outrem para prevalecerem e nortearem suas escolhas, talvez não tenham encontrado a própria vida em sua essência..

“Matar” para não morrer, até pode parecer ato aceitável diante de “ameaças”, mesmo as imaginárias.

O fim desse caminho, é o ser humano considerar o semelhante como seu inimigo. Ou seja, é preciso vencer o outro para sentir-se vitorioso. Há outros que dependem de aplausos para sentirem-se realizados.

É com muita sensibilidade, percepção e experiência nas relações humanas, que nos permitimos analisar e dar a devida importância ao que realmente vale na vida. Buscar a realização de um sonho com olhar voltado apenas para o benefício que se pode obter, sem, contudo, desenvolver o conhecimento, a observação, a sensibilidade do servir, poderemos até conquistar crescimento pessoal e social; alcançar cargos e posições privilegiadas, ganhar fama e dinheiro, mas poderemos estar trilhando o caminho da mediocridade e mesquinhez, pois o risco é atuarmos no campo das disputas e da competição, onde predomina espírito de inveja, dissimulações e pelejas na arena do vale-tudo pelo “poder”.

Todo o trabalho e esforço valerão a pena quando tornarem-se meios de serviço ao semelhante, não apenas de auto-benefício.